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Conceitos básicos de inventário GEE

Os fundamentos que sustentam qualquer inventário: o que é, qual é a metodologia, quais gases entram na conta, o que é CO₂ equivalente, fatores de emissão, a diferença entre fator de emissão e pegada de carbono, CO₂ biogênico e a diferença entre ano-base e ano inventariado.

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O que você vai aprender

  1. O que é um inventário de emissões
  2. O GHG Protocol e o programa brasileiro
  3. Quais gases são contabilizados
  4. O que é CO₂ equivalente
  5. O que são fatores de emissão
  6. Fator de emissão vs pegada de carbono
  7. O que é CO₂ biogênico
  8. Ano-base e ano inventariado
01 — O que é um inventário de emissões

Você só consegue gerenciar aquilo que você mede

Um Inventário de Gases de Efeito Estufa é um levantamento quantitativo das emissões de uma organização em um determinado período, normalmente um ano. Ele reúne todas as emissões da operação e da cadeia de valor, seguindo uma metodologia padronizada.

Na prática, é o ponto de partida de qualquer estratégia climática. Sem inventário, não há diagnóstico. E sem diagnóstico, não há plano de ação.

Por que um inventário é o primeiro passo

Sem medir, qualquer meta climática é palpite. Inventário gera linha de base, comparabilidade entre anos e credibilidade junto a investidores, clientes e reguladores.

02 — A metodologia

GHG Protocol: o padrão internacional

O GHG Protocol é o principal padrão internacional para a contabilização e o reporte de emissões de gases de efeito estufa. Ele define como as empresas devem medir e divulgar suas emissões, garantindo consistência e comparabilidade entre organizações, setores e países.

No Brasil

Programa Brasileiro GHG Protocol

A metodologia internacional é adaptada à realidade nacional pelo Programa Brasileiro GHG Protocol — referência principal para empresas que operam no país. É a partir dele que o Atmo gera o Registro Público de Emissões, no formato exigido para divulgação externa.

03 — Os sete gases

Quais gases entram na conta

Gases de efeito estufa são gases que retêm calor na atmosfera, contribuindo para o aquecimento global. O GHG Protocol contabiliza os gases definidos pelo Protocolo de Kyoto:

CO₂
Dióxido de carbono
CH₄
Metano
N₂O
Óxido nitroso
HFCs
Hidrofluorcarbonos
PFCs
Perfluorcarbonos
SF₆
Hexafluoreto de enxofre
NF₃
Trifluoreto de nitrogênio

Cada gás tem um impacto diferente no aquecimento. Para tornar tudo comparável, usamos uma unidade comum: o CO₂ equivalente.

04 — A unidade comum

CO₂ equivalente (CO₂e)

O CO₂ é o gás de referência — todos os outros são convertidos para uma quantidade equivalente de CO₂. Essa conversão é feita com base no potencial de aquecimento global (GWP — Global Warming Potential) de cada gás. Assim conseguimos somar tudo numa única métrica e comparar empresas, setores e anos.

Exemplo prático

1 tonelada de metano (CH₄) ≈ 28 toneladas de CO₂e. O metano aquece o planeta cerca de 28 vezes mais que o CO₂ ao longo de 100 anos — por isso pesa muito mais no inventário do que parece.

05 — A base de todo cálculo

Fatores de emissão

Fatores de emissão são coeficientes que indicam quanto de gás de efeito estufa é emitido por unidade de atividade. Por exemplo: quantos quilos de CO₂ são emitidos por litro de diesel consumido. Eles são a base de todo o cálculo do inventário.

Exemplo aplicado

Frota corporativa que consumiu 50 mil litros de diesel no ano

50.000 litros de diesel
×
2,74 kg CO₂e / litro
=
137.000 kg CO₂e
Total de emissões da frota 137 toneladas de CO₂e
Composição do fator de emissão

Mas de onde sai esse 2,74?

O próprio fator de emissão já vem com os GWPs "embutidos". Quando você queima 1 litro de diesel, são liberados três gases — cada um é convertido em CO₂e pelo seu GWP, e a soma é o que aparece como fator final.

CO₂
dióxido de carbono
GWP × 1
+
CH₄
metano
GWP × 28
+
N₂O
óxido nitroso
GWP × 265
=
2,74 kg
CO₂e / litro

Por isso o fator final aparece em CO₂e e não em CO₂ puro — ele já incorpora a contribuição do metano e do óxido nitroso ponderada pelos seus GWPs.

Esse é exatamente o cálculo que você vai repetir para cada fonte de emissão da empresa — combustíveis, energia elétrica, viagens, resíduos, e por aí vai. É a mesma lógica em todas as categorias.

06 — Dois conceitos parecidos, mas diferentes

Fator de emissão vs pegada de carbono

Esses dois termos aparecem o tempo todo em materiais de inventário e geram confusão. Eles estão conectados, mas medem coisas diferentes. Entender a distinção evita erro de leitura em dados públicos, comparações entre produtos e relatórios de outras empresas.

Fator de emissão

Quantifica as emissões de uma determinada atividade.

  • Foco na atividade
  • Exemplo: combustão do diesel
vs
Pegada de carbono

Quantifica o total de emissões, diretas e indiretas, de uma atividade acumuladas ao longo de todos os estágios do seu ciclo de vida.

  • Foco na cadeia de produção
  • Exemplo: produção do diesel

Na prática, o inventário usa fatores de emissão

No inventário GEE corporativo, o cálculo de cada fonte é feito com fatores de emissão — coeficientes por atividade. A pegada de carbono aparece quando o objetivo é olhar o ciclo de vida inteiro de um produto (ACV) e somar emissões diretas e indiretas até o consumo final.

07 — Atenção a essa pegadinha

CO₂ biogênico ≠ CO₂ fóssil

Os dois são CO₂, mas têm origens diferentes e por isso são tratados de forma diferente no inventário. Misturar os dois é um erro comum em inventários iniciantes.

CO₂ fóssil

Liberado pela queima de combustíveis fósseis — petróleo, carvão, gás natural. Carbono que estava retido no subsolo há milhões de anos.

→ Somado ao total de emissões
CO₂ biogênico

Liberado pela queima ou decomposição de biomassa — madeira, biocombustíveis, resíduos orgânicos. Faz parte do ciclo natural do carbono (a planta absorveu esse carbono ao crescer).

→ Reportado separado, não entra no total

Por que reportar em linha própria

Por convenção do GHG Protocol, o CO₂ biogênico aparece em linha separada e não é somado ao total. Não é "isento" — só é contabilizado de forma diferente porque seu impacto no balanço de carbono já foi compensado pelo crescimento da biomassa.

08 — Linha do tempo do inventário

Ano-base e ano inventariado

O ano inventariado é o ano que está sendo reportado — normalmente o ano anterior ao ciclo atual. Já o ano-base é uma referência fixa, escolhida pela empresa, usada para acompanhar a evolução das emissões ao longo do tempo. É a partir dele que se mede o progresso.

Como os dois aparecem em uma jornada de inventário

2020
Ano-base
2021
Reportado
2022
Reportado
2023
Ano inventariado
2024
Próximo ciclo
Resumo da aula

O que levar dessa aula

  • Inventário de GEE é o levantamento quantitativo das emissões da empresa em um ano — ponto de partida de qualquer estratégia climática.
  • O GHG Protocol é o padrão internacional; no Brasil, a referência é o Programa Brasileiro GHG Protocol.
  • São contabilizados sete gases: CO₂, CH₄, N₂O, HFCs, PFCs, SF₆ e NF₃.
  • Para somar gases diferentes, tudo é convertido em CO₂ equivalente (CO₂e) usando o GWP de cada gás.
  • Fatores de emissão são os coeficientes que conectam atividade (litros, kWh, km) ao volume de emissão.
  • Fator de emissão olha uma atividade específica; pegada de carbono soma diretas + indiretas ao longo do ciclo de vida. O inventário trabalha com fatores de emissão.
  • CO₂ biogênico é reportado separadamente, não somado ao total.
  • Ano inventariado é o que está sendo reportado; ano-base é a referência fixa para medir progresso.