Conceitos básicos de inventário GEE
Os fundamentos que sustentam qualquer inventário: o que é, qual é a metodologia, quais gases entram na conta, o que é CO₂ equivalente, fatores de emissão, a diferença entre fator de emissão e pegada de carbono, CO₂ biogênico e a diferença entre ano-base e ano inventariado.
O que você vai aprender
- O que é um inventário de emissões
- O GHG Protocol e o programa brasileiro
- Quais gases são contabilizados
- O que é CO₂ equivalente
- O que são fatores de emissão
- Fator de emissão vs pegada de carbono
- O que é CO₂ biogênico
- Ano-base e ano inventariado
Você só consegue gerenciar aquilo que você mede
Um Inventário de Gases de Efeito Estufa é um levantamento quantitativo das emissões de uma organização em um determinado período, normalmente um ano. Ele reúne todas as emissões da operação e da cadeia de valor, seguindo uma metodologia padronizada.
Na prática, é o ponto de partida de qualquer estratégia climática. Sem inventário, não há diagnóstico. E sem diagnóstico, não há plano de ação.
Por que um inventário é o primeiro passo
Sem medir, qualquer meta climática é palpite. Inventário gera linha de base, comparabilidade entre anos e credibilidade junto a investidores, clientes e reguladores.
GHG Protocol: o padrão internacional
O GHG Protocol é o principal padrão internacional para a contabilização e o reporte de emissões de gases de efeito estufa. Ele define como as empresas devem medir e divulgar suas emissões, garantindo consistência e comparabilidade entre organizações, setores e países.
Programa Brasileiro GHG Protocol
A metodologia internacional é adaptada à realidade nacional pelo Programa Brasileiro GHG Protocol — referência principal para empresas que operam no país. É a partir dele que o Atmo gera o Registro Público de Emissões, no formato exigido para divulgação externa.
Quais gases entram na conta
Gases de efeito estufa são gases que retêm calor na atmosfera, contribuindo para o aquecimento global. O GHG Protocol contabiliza os gases definidos pelo Protocolo de Kyoto:
Cada gás tem um impacto diferente no aquecimento. Para tornar tudo comparável, usamos uma unidade comum: o CO₂ equivalente.
CO₂ equivalente (CO₂e)
O CO₂ é o gás de referência — todos os outros são convertidos para uma quantidade equivalente de CO₂. Essa conversão é feita com base no potencial de aquecimento global (GWP — Global Warming Potential) de cada gás. Assim conseguimos somar tudo numa única métrica e comparar empresas, setores e anos.
Exemplo prático
1 tonelada de metano (CH₄) ≈ 28 toneladas de CO₂e. O metano aquece o planeta cerca de 28 vezes mais que o CO₂ ao longo de 100 anos — por isso pesa muito mais no inventário do que parece.
Fatores de emissão
Fatores de emissão são coeficientes que indicam quanto de gás de efeito estufa é emitido por unidade de atividade. Por exemplo: quantos quilos de CO₂ são emitidos por litro de diesel consumido. Eles são a base de todo o cálculo do inventário.
Frota corporativa que consumiu 50 mil litros de diesel no ano
Mas de onde sai esse 2,74?
O próprio fator de emissão já vem com os GWPs "embutidos". Quando você queima 1 litro de diesel, são liberados três gases — cada um é convertido em CO₂e pelo seu GWP, e a soma é o que aparece como fator final.
Por isso o fator final aparece em CO₂e e não em CO₂ puro — ele já incorpora a contribuição do metano e do óxido nitroso ponderada pelos seus GWPs.
Esse é exatamente o cálculo que você vai repetir para cada fonte de emissão da empresa — combustíveis, energia elétrica, viagens, resíduos, e por aí vai. É a mesma lógica em todas as categorias.
Fator de emissão vs pegada de carbono
Esses dois termos aparecem o tempo todo em materiais de inventário e geram confusão. Eles estão conectados, mas medem coisas diferentes. Entender a distinção evita erro de leitura em dados públicos, comparações entre produtos e relatórios de outras empresas.
Quantifica as emissões de uma determinada atividade.
- Foco na atividade
- Exemplo: combustão do diesel
Quantifica o total de emissões, diretas e indiretas, de uma atividade acumuladas ao longo de todos os estágios do seu ciclo de vida.
- Foco na cadeia de produção
- Exemplo: produção do diesel
Na prática, o inventário usa fatores de emissão
No inventário GEE corporativo, o cálculo de cada fonte é feito com fatores de emissão — coeficientes por atividade. A pegada de carbono aparece quando o objetivo é olhar o ciclo de vida inteiro de um produto (ACV) e somar emissões diretas e indiretas até o consumo final.
CO₂ biogênico ≠ CO₂ fóssil
Os dois são CO₂, mas têm origens diferentes e por isso são tratados de forma diferente no inventário. Misturar os dois é um erro comum em inventários iniciantes.
Liberado pela queima de combustíveis fósseis — petróleo, carvão, gás natural. Carbono que estava retido no subsolo há milhões de anos.
Liberado pela queima ou decomposição de biomassa — madeira, biocombustíveis, resíduos orgânicos. Faz parte do ciclo natural do carbono (a planta absorveu esse carbono ao crescer).
Por que reportar em linha própria
Por convenção do GHG Protocol, o CO₂ biogênico aparece em linha separada e não é somado ao total. Não é "isento" — só é contabilizado de forma diferente porque seu impacto no balanço de carbono já foi compensado pelo crescimento da biomassa.
Ano-base e ano inventariado
O ano inventariado é o ano que está sendo reportado — normalmente o ano anterior ao ciclo atual. Já o ano-base é uma referência fixa, escolhida pela empresa, usada para acompanhar a evolução das emissões ao longo do tempo. É a partir dele que se mede o progresso.
Como os dois aparecem em uma jornada de inventário
O que levar dessa aula
- Inventário de GEE é o levantamento quantitativo das emissões da empresa em um ano — ponto de partida de qualquer estratégia climática.
- O GHG Protocol é o padrão internacional; no Brasil, a referência é o Programa Brasileiro GHG Protocol.
- São contabilizados sete gases: CO₂, CH₄, N₂O, HFCs, PFCs, SF₆ e NF₃.
- Para somar gases diferentes, tudo é convertido em CO₂ equivalente (CO₂e) usando o GWP de cada gás.
- Fatores de emissão são os coeficientes que conectam atividade (litros, kWh, km) ao volume de emissão.
- Fator de emissão olha uma atividade específica; pegada de carbono soma diretas + indiretas ao longo do ciclo de vida. O inventário trabalha com fatores de emissão.
- CO₂ biogênico é reportado separadamente, não somado ao total.
- Ano inventariado é o que está sendo reportado; ano-base é a referência fixa para medir progresso.